Cintia Lessa Lima Cancellier
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Stand Up e Jiu-jitsu

Stand Up e Jiu-jitsu

03/02/2019

         Stand up versão Cintia

        

            O sol estava lindo, o dia radiante e o mar, meu Deus, aquela água azul clara sem nenhuma onda pela frente, estava tudo perfeito. Eu e Dona Edir (grande amiga nossa), descíamos as escadas que dão acesso a praia da Maranduba, quando o Cabelo (outro amigão ), nos dava bom dia e ajudava terminar o último degrau antes de por os pés na areia.

            Então, após nossos cumprimentos de bom dia, olhei para ele, para o mar e para a prancha e perguntei: então, será que hoje dá? Antes de ouvir a resposta, já tinha em mente só pelo olhar e gestos do meu amigo. Parecia uma criança que acabou de ganhar um presente que queria há muito tempo..

            Entrei no mar com colete, de braços dados com Dona Edir e o Cabelo vinha logo atrás com a prancha e remo. O senhor Vicente, marido de Dona Edir, já estava fazia horas dentro da água. Nunca tinha visto aquele mar tão transparente como neste dia. Íamos entrando e podíamos ver o fundo da areia.

            Quando chegamos com a água acima da cintura, o mar oscilava menos ainda, então pude subir na prancha no mesmo esquema de sempre: Cabelo segurou um lado da prancha enquanto me dava suporte pra eu subir e Dona Edir segurando o outro lado. Eu deito de bruços, fico ajoelhada e aí sento no meio da prancha com as pernas cruzadas.

            Comecei a remar com a agradável e indispensável companhia do meu amigo que fica com a prancha presa no seu punho, para não nos perder de vista (eu e prancha), é claro. Foi então que percebi , que novos movimentos estão surgindo no meu corpo....que legal!! Ao pegar o remo, sempre tive um alcance mais curto por causa da minha pequena amplitude de movimento de tronco e quadril... mas a minha sensação naquele momento foi de maior leveza de tronco, força de braço e abdômen, sem travar em nenhum momento meu quadril.

            Enquanto conversava com meu amigo, comecei a explorar os movimentos , anteriormente mais difíceis e agora se tornaram suaves. Remava para frente, para trás, trocava de braço, rodava em volta do Cabelo....gente, que alegria!

            Sabe o que é se sentir livre?  No meio do mar, lugar lindo, em cima da prancha e se movimentando como nunca?! É uma sensação plena, única que talvez algumas pessoas possam imaginar, mas quem convive comigo  diariamente e conhece minhas dificuldades, certamente, tem uma percepção maior do que estou dizendo.

            Interessante é sacar como as distintas modalidades esportivas, quando praticadas por uma pessoa com dificuldades motoras (no caso, eu) , podem sim, interferir umas nas outras e favorecer nos ganhos de mobilidade.

            Meus novos treinos de jiu-jitsu com a professora Andressa, estão despertando músculos adormecidos, facilitando amplitudes articulares e ganho de habilidades que não tinha há muito tempo. Isso eu percebo no meu dia a dia, mas quando faço uma atividade como remar numa prancha, esses ganhos saltam aos olhos!

            Todos os textos que escrevo têm uma empolgação no ar, eu sei muito bem disso. Mas, eu me sinto tão feliz quando a vida me mostra novos caminhos que tenho necessidade de contar e a melhor maneira é compartilhando, não é?

            Voltando ao momento pleno, remar, rir, remar e conversar com meu amigo....quarenta minutos depois, fizeram sinal de que estava ventando em direção ao mar. Ops, adivinhem o que aconteceu? Estávamos lá longe dos banhistas responsáveis kkkk e comecei a remar de acordo com as dicas do meu amigo em relação ao lado e a maneira. Gente do céu, fiz força demais! Muita, mas muita força e o vento soprando no sentido contrário. Ai, ai, ai...mas está não foi a primeira vez que passamos por isso e certamente não será a última...kkk. Então, mantivemos o foco e força até chegarmos no raso e pular na água, junto de Dona Edir e Vicente, que estavam ali só de olho. Aproveitei pra descansar mais um pouquinho dentro da água com o colete e curtir a natureza em ótima companhia.

 É claro que essa experiência com o mar, prancha, que adoro tanto, só faço com muito cuidado. Sempre acompanhada do meu instrutor e amigo (Cabelo), com colete e prestando muito atenção no tempo e a direção e intensidade do vento. Nunca, mas nunca me atreveria encarar sozinha e sempre respeitando a natureza!

            Agradeço a Deus por cada um desses momentos, pelas novas descobertas, pela minha força constante e pelas pessoas maravilhosas que a vida colocou no meu caminho.

 

           

Cintia Lessa Lima Cancellier
39 anos,fisioterapeuta, Mestre pelo IAMSPE (área de neuro-reabilitação ), autora do Livro - Exercícios e Posturas para o paciente com sequela de AVC e outras doenças neurológicas. Especialista pela Santa Casa de Misericórdia em Fisioterapia neuro-múscoloesquelética. Pós Graduada pela Gama Filho em Fisioterapia Cardiorrespiratória.
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