Patrícia Rovarotto
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SALVO PELO GONGO!

SALVO PELO GONGO!

Todo mundo, em algum momento, já disse ou ouviu esse termo. Mas, você sabia que essa expressão tem sua origem por uma antiga regra do Boxe?

Numa luta, o gongo anuncia o início e o fim dos rounds e, ao tocar, o árbitro imediatamente inicia ou interrompe o combate.
Quando um lutador é golpeado e cai no chão visivelmente inconsciente sem esboço de reação, o árbitro determina imadiatamente o Knock Out (nocaute) e encerra a luta. 

Mas, se o boxeador cai ainda acordado ou toca o chão por qualquer parte do corpo que não seus pés, ele é considerado vítima de um Knock Down (queda) e o árbitro inicia então uma contagem de 1 a 10 segundos, tempo no qual o lutador deve levantar e recuperar-se mostrando-se apto para voltar ao combate. Caso o lutador chegue na contagem de 8 ainda visivelmente abalado, o árbitro conta até 10 e decreta nocaute ou, ainda em 8 segundos, encerra a luta e decreta Nocaute Técnico (Technical Knock Out) caso ele se recupere mas não apresente bom estado para continuar.

Antigamente, se um lutador sofresse uma contagem ao final do round e o gongo soasse, o árbitro interrompia a contagem e o lutador poderia se recuperar durante o intervalo de 1 minuto e voltar a combater no próximo round. Portanto, ele era SALVO PELO GONGO de perder a luta. 

Hoje, essa regra não existe mais. A contagem é soberana ao gongo e a luta só continua se o lutador se recuperar durante os primeiros 8 segundos da contagem.

No boxe olímpico (amador), a contagem é feita não apenas numa queda mas a qualquer momento que o árbitro entenda que o lutador sentiu um golpe e tonteou, se sua cabeça foi lançada violentamente para trás (ricocheteou) arriscando lesão na cervical ou se o lutador está irresponsivo durante o combate, sendo golpeado sem reagir por alguns bons segundos.

Enquanto no Boxe Profissional, um lutador perde 2 pontos na primeira contagem e 1 ponto nas outras seguintes, no Boxe Olímpico, a contagem serve apenas como meio protetivo e não desconta pontos.

Em ambos é possível que uma contagem ocorra já no final do round e seja aberta logo em seus segundos finais. Quando isso ocorre, o cronometrista não soa o gongo, aguarda a finalização da contagem do árbitro e, caso o lutador se recupere soa o sino logo em seguida que o árbitro determina a volta ao combate (dizendo "Boxe!). O gongo soa e ambos lutadores voltam para seus corners para o intervalo. 

Ainda que a regra tenha sido extinta, torçamos para que a expressão perdure em nosso idioma e tenhamos um toque de pugilismo na cultura do nosso país tão futebolista. Ding!

Patrícia Rovarotto
Boxeadora, Personal Boxing Trainer, Psicóloga especializada em Psicologia do Esporte, Árbitra e Juíza de Boxe.