Seiichi Hissamura
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O fim do reinado de uma categoria!

O fim do reinado de uma categoria!

Treze anos e um mês invicta. Vinte e uma adversárias tentaram destronar ela sem sucesso. Até o mundo parar por quase um minuto e, ao voltar a girar, tínhamos uma nova campeã nos pesos penas da divisão feminina do UFC.

Cris Cyborg vs Amanda Nunes

A maior luta da história do MMA feminino! Muito se especulava sobre essa luta, ouvi pessoas dizendo que o peso e altura seriam a favor de Cyborg, que Amanda fica sem gás a partir do 2° round, que Cyborg iria pulverizar a adversária, que Amanda botaria a campeã invicta de costas no chão e assim definiria a luta, enfim, vários palpites de como a luta seria desenrolada...

Mas na verdade, Amanda Nunes chocou o mundo ao seu redor, ao nocautear Cris Cyborg aos 51s ainda do 1° round, cravando seu nome na história do MMA como a primeira lutadora a ser campeã em duas divisões de peso do UFC. Era o que ela almejava.

A luta

As duas entraram muito confiantes e focadas, cada qual a seu modo, como de costume em suas lutas.

Ao soar o gongo, Cyborg tomou a iniciativa de andar pra frente ao encontro de Amanda e acertou um bom golpe, um cruzado, mas de raspão, que foi prontamente respondido pela desafiante, acertando o mesmo golpe, mas com potência e endereço certo no rosto de Cris Cyborg.IMG-20181230-WA0006(1).jpg

Indo pra trocação franca, Cyborg jogou seus socos no vácuo enquanto Amanda acertava com precisão cirúrgica e com potência seus contragolpes, com jabs, diretos, cruzados e um poderoso overhand que definiu a luta com um nocaute técnico aos 51 segundos iniciais da luta, ainda no primeiro round.
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Opinião do especialista

QI de luta. Esse foi o fator determinante,  que definiu o rumo que essa superluta tomou.
Antes um ponto fraco de Cris Cyborg, no início da carreira, foi sendo remodulado e desenvolvido por seus treinadores e por ela, e chegou num ponto onde a curitibana continuou sendo agressiva e contundente, porém com estratégia definida e inteligência na luta.

Porém, não foi o que se viu . Cris Cyborg voltou a ser uma Wanderlei Silva de saias, ligou o ventilador mas foi tomada de um curto circuito de Amanda Nunes, que sempre luta muito dentro da estratégia, com o QI de luta em dia. Talvez tenha sido muito auto confiança na trocação, mas realmente Cyborg ainda não tinha experimentado alguém com tanto punch nos golpes como Amanda. 

Faltou Cyborg fazer o que todo lutador faz quando toma um contragolpe duro, mas que não provoca nocaute instantâneo: recuar, girar e refazer o jogo. Quando você toma um golpe, na hora você pensa "opa, algo deu errado, peraí" e aí é hora da de rodar, e em segundos, pensar e ouvir o seu corner, qual foi o erro. E retomar a luta.

Cyborg errou uma, duas, três vezes pra mais, e Amanda continuou acertando com precisão sete golpes consecutivos antes de derrubar nocauteada Cris Cyborg. 

Esse foi o que custou o fim do reinado de Cyborg: QI de luta.

Vantagens e desvantagens do combate: Cris Cyborg vs Amanda Nunes
 

Além de faturamento do evento nas vendas de PPV, e do cinturão caso vencesse, ninguém mais ganharia como esse desafio além da própria Amanda. Ok, Cyborg também ganha sobre as vendas de PPV, mas será que, a essa altura, ela realmente precisaria dessa grana? Acho que ela realmente só aceitou esse desafio por exatamente esse motivo, por ter sido desafiada. 

Uma luta desnecessária, onde uma brasileira entrou na história de outra, onde antes tínhamos duas campeãs brasileiras em categorias distintas do UFC, agora, por ganância de uma, temos apenas uma, já que Amanda terá que decidir qual cinturão defenderá a partir de agora. 

Me respondam, caros leitores: pra quê essa luta? Tirando os motivos pessoais de Amanda Nunes, de ser a primeira lutadora a ser campeã de duas categorias, pra quê esse desafio? O que trouxe de bom e o que acarretará no futuro do MMA feminino de vantajoso?

O fato é que a rainha absoluta do MMA foi destronada, e que Amanda Nunes sem dúvidas, atualmente é a melhor do mundo. 

Seiichi Hissamura
Paulista, ex atleta profissional, treinador de lutas e artes marciais. Responsável pelas análises técnicas.