Patrícia Rovarotto
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NEM SÓ DE CABEÇA VIVERÁ O BOXE!

NEM SÓ DE CABEÇA VIVERÁ O BOXE!

As pessoas sempre lembram do Boxe como uma luta onde se tem o alvo principal a cabeça. Sempre quando se pensa em um nocaute, logo imaginam um golpe certeiro atingindo o queixo de alguém.
Mas nem só de cabeça vive o Boxe!


Imagine uma camiseta regata. Agora pense nas costuras dessa camiseta onde se encontram frente e costas. Dessa linha para a frente, é permitido bater no boxe, desde a linha do umbigo para cima até o pescoço e na área da frente, da costura da camiseta para a frente.
É por isso que boxeadores treinam muito sua musculatura abdominal - para aguentar os duros 'bodyshots' ou golpes na linha de cintura. A musculatura forte protege os rins, fígado, baço e estômago dos golpes.


Só quem já sentiu um golpe na linha de cintura sabe a dor excruciante que é.


Dentro de uma luta, é bem mais provável se ter um nocaute irrecuperável na linha de cintura que na cabeça, já que a confusão e tontura de um golpe na cabeça se recupera numa contagem de 8 segundos, enquanto que a dor, a contração e a paralisação que um golpe bem encaixado na linha de cintura podem levar muito mais tempo para deixar o lutador.


Bons boxeadores sabem brincar com as alturas de ataque e usam, taticamente as alturas para confundir o adversário e encaixar seus golpes com sucesso. Eles distraem a atenção do adversário ali para baterem aqui e a tática do boxe se assemelha a um xadrez nesse ponto. Quem melhor sabe usar as variações de golpes, alturas e distâncias tem a vantagem.


E é por isso que o Boxe não é um jogo de forças e resistência, mas sim de habilidade e inteligência. É por isso que ele não é só uma arte marcial, ele é a Nobre Arte.

Patrícia Rovarotto
Boxeadora, Personal Boxing Trainer, Psicóloga especializada em Psicologia do Esporte, Árbitra e Juíza de Boxe.