Cintia Lessa Lima Cancellier
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Minhas modalidades

Minhas modalidades

   Até o momento, ficou bem claro que mesmo aos 39 anos, meu espírito aventureiro não mudou, talvez tenha piorado, mas não me atrevo a subir em banquinho nenhum ..kk. Brincadeiras a parte, claro que eu tomo o devido cuidado, mas adoro me testar. Isso mesmo, eu gosto de ver até onde consigo ir,  mesmo sendo uma atividade que não tenha nada a ver com meu dia a dia, mas tudo que envolva desafios, eu tento.

   Como posso explicar?  Eu preciso programar autos testes para não ficar monótono o dia a dia, entende? Gosto de experimentar exercícios novos e avaliar como meu corpo responde. Porque se fico na mesmice,  ou parada, eu vou travando e a coisa fica feia. Por exemplo, não posso me dar ao desfrute de ficar escrevendo horas do dia sem parar porque meu corpo não vai responder e ficará muito, mas muito mais difícil me levantar e sair andando.

  Meus pais sempre me apoiam nas minhas ideias loucas, mas de início eu uso um certo tato pra abordar a novidade. No começo, meu pai sempre mantém um pé atrás  , por receio que eu me machuque, piore, ou não consiga, coisa de pai né..agora minha mãe, mais parecida comigo, sempre me deu mais um empurrãozinho pra eu experimentar.

  É difícil saber dosar a quantidade de exercícios pra mim. Quando faço muito pouco ou não faço, minha musculatura fica travada , espástica e o contrário também acontece, se exagero, aiaiai...me lasco da mesma forma. Mas, graças a Deus, eu tenho uma vontade incansável de ganhar movimentos, descobrir novos horizontes, e mesmo cansada, às vezes até com dor, eu nunca desisto e tudo isso me faz feliz.

  Existem momentos, claro, que bate aquele desânimo, cansaço, porque exijo muito do meu corpo, porque preciso de muito tempo pra ganhar algum movimento pequeno, porque eu gasto muita energia, muito mais energia do que qualquer outra pessoa sem dificuldade motora, porque se eu parar alguns dias fica muito, muito mais difícil para andar  e sei que minha luta não termina, ela é constante e tudo isso cansa. Mas logo esse momento de tristeza passa, ainda bem, e volta minha energia e vontade louca de lutar..!

   Sempre brinco e falo que meu espírito era de um atleta que caiu no corpo errado...kkkk. porque minha gana e sempre maior do que aparentemente o meu corpo é capaz...e assim vou vivendo o meu dia a dia.

   Tem uma questão que ainda não abordei, mas o fato de eu treinar diversas modalidades (agora, boxe e jiu-jitsu) me faz testar vários exercícios diferentes e descobrir onde cada um se encaixa para melhorar a minha mobilidade nas minhas atividades de vida diária [AVDs]. Como por exemplo os movimentos de braço, associado com o deslocamento para frente e para traz, para o lado e para o outro do boxe, que trabalha força, dissociação de cinturas (pélvica e escapular] o que treina o meu equilíbrio e agilidade também. Outro exemplo , no jiu-jitsu, são os exercícios no chão que forçam bastante a mobilidade de quadril (um ponto importante pra mim e para muitas pessoas com sequelas antigas neurológicas com hemiparesia por exemplo).

   Assim como eu que tenho uma sequela há 33 anos (sequela que me acompanhará por toda a vida), muitas outras pessoas pelo universo afora também tem e isso não significa que seremos sempre pacientes de clínicas de fisioterapia, certo?! A fisioterapia é fundamental sim, durante muitos anos após trauma, AVC, enfim, após a causa que originou a sequela motora, mas a partir do momento que não se tem mais ganhos significativos com o tratamento convencional, devemos procurar outras atividades que possam ajudar e fazer parte do dia a dia

  Procura o que você se adapte, uma atividade que te dê prazer e ganho de motricidade, ou faça como eu,  experimente, seja aventureiro, com responsabilidade, mantenha seu corpo em movimento e faça tudo o que der vontade!

 

Cintia Lessa Lima Cancellier
39 anos,fisioterapeuta, Mestre pelo IAMSPE (área de neuro-reabilitação ), autora do Livro - Exercícios e Posturas para o paciente com sequela de AVC e outras doenças neurológicas. Especialista pela Santa Casa de Misericórdia em Fisioterapia neuro-múscoloesquelética. Pós Graduada pela Gama Filho em Fisioterapia Cardiorrespiratória.
Atleta amadora !