Patrícia Rovarotto
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'DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR'!

'DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR'!

É óbvio que o aluno fitness/social de qualquer arte marcial não começa suas aulas porque quer competir.

A maioria esmagadora procura o Boxe para melhorias na saúde física e mental, no peso, na estética.
Aliás, se você perguntar a qualquer lutador (a) profissional porque começou a treinar, raramente vão te responder que já sabiam que fariam carreira ou que procuraram o esporte porque queriam lutar competitivamente.

Por ser uma arte marcial de base ocidental, o Boxe não possui graduação, código de conduta, rituais ou filosofia própria. E, por isso, houve um desligamento de seus praticantes com as suas raízes, regras, cultura e tradição. 

Isso acabou possibilitando que muitos entusiastas, com pouco tempo de prática e vivência no Boxe, se julguem capazes e prontos a ensinar a Nobre Arte. E muito além: querem usar o Boxe como mera atividade física, impensada e mecânica.
O que mais se vê são aulas de "Boxe" com "professores" puxando manopla sem o mínimo de qualidade técnica, apenas pra queimar calorias. 
Vemos alunos que saem das aulas com a sensação de que treinaram muito, esgotados fisicamente porém tão vazios de conhecimento quanto entraram. 

Lembremos que o Boxe é uma luta, uma arte marcial e um esporte olímpico, com toda sua técnica, tática, regras, tradições e até linguagem própria. 
E o aluno quando procura o Boxe, seja lá pra qual objetivo, tem que aprender Boxe!

O bom professor de Boxe sabe que a prática correta e o aprender técnico do aluno vem à frente de tudo. Sabe que deve conversar, explicar, demonstrar e corrigir. Deve falar de regras, do que pode ou não durante uma luta, deve discutir tática e explicar os porquês: porque o pé, a mão, a cabeça, a perna assim e assado. 

Inclusive, o bom professor de Boxe sabe que a busca pela excelência técnica do fundamento do Boxe, por si só, já fornece ao seu aluno enormes gastos calóricos e condicionamento físico. O básico da técnica do Boxe já exige fisicamente até do mais treinado corpo.

Com um treino que busca excelência técnica, o aluno ganha não apenas condicionamento, forma física, saúde, mas ganha um hobbie, uma paixão. E o Boxe ganha mais um amante. É assim que a tradição, a História e a cultura da Nobre Arte levará o seu legado para o futuro. Afinal, nem só de atletas vive um esporte, mas de todos seus fãs, amantes, praticantes, espectadores, patrocinadores, de todo seu público, que, quanto mais entender de sua complexidade na prática, mais apreciará sua magia. 

"O professor mediano diz. O bom professor explica. O professor superior demonstra. O professor grandioso inspira." (William Arthur Ward)

Patrícia Rovarotto
Boxeadora, Personal Boxing Trainer, Psicóloga especializada em Psicologia do Esporte, Árbitra e Juíza de Boxe.