Cintia Lessa Lima Cancellier
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E hoje foi guerra!

E hoje foi guerra!

         

 

         Mesmo retornando semana passada depois de ficar de molho durante dois meses por causa da fratura do meu quinto dedo do pé esquerdo, não tive um pingo de moleza.

         Tenho duas aulas por semana com a Dinha, terças e quintas, mas nesta em especial, quem ministrou meus dois treinos, foi o Mestre Vassouras (Andre Luiz de Souza Vassouras), amigo da minha professora.

         Agendamos os treinos por mensagem do "zap", o que já me deixou de "cabelo em pé" quando no final da conversa ele escreveu que seria uma guerra! Mas, conhecendo bem o estilo da minha professora, imaginei que o Mestre Vassouras teria o mesmo humor que o dela.

         Começamos o treino com movimento gangorra,  de barriga para cima, jogando os pés lá para trás , depois de dar o impulso (movimento que eu adoro). Em seguida, a famosa fuga de quadril, que atualmente parece pesar duzentos quilos, e ao invés  de sair do lugar, quer ficar colado no tatame, mas no final , sempre dá certo. Após realizar o exercício, fomos para a parede, com o quadril e joelhos em flexão de noventa graus e pés apoiados.  O primeiro exercício foi elevar os quadris mantendo a isometria por três segundos. O segundo foi cruzar uma perna sobre a outra sem perder o contato do pé oposto da parede (pouco difícil, mas ainda deu para fazer). Agora, o terceiro exercício, seria a junção dos dois (imaginem a complicação). A minha cabeça entende, visualiza fácil tudinho, mas o corpinho se embola todo. Fiz diversas tentativa .e na noite do dia seguinte eu pratiquei mais um pouquinho.

         Treinamos diversas vezes os golpes Kimura e Armlock, o que deixou meus bracinhos bem doloridos, mas acordados para o treino seguinte, o qual já foi bem melhor. Apesar dos obstáculos que meu próprio corpo cria durante a movimentação, com um esforço significativo, acabo vencendo essas barreiras e isso que vale a pela.

         A empolgação e felicidade que me dá após realizar qualquer movimento que de inicio parece impossível e que depois de varias tentativas ele "nasce" é o mais importante e o que faz aumentar a vontade de continuar. E por falar em continuar, a sequencia da aula progride e chega no momento mais esperado, divertido e desafiador: os rolas. Na verdade, eu sei que me empolgo muito, a adrenalina aumenta e diversas vezes nem sei o que estou fazendo, mas tento me salvar e sair dos golpes. Não tenho estratégias, não sei associar quase nada do aquecimento na hora dos rolas , me sinto até uma criança brincando, mas tenho certeza que todo meu corpo recebe muitos estímulos e  isso é sensacional.

         Fico ultra cansada, dolorida, mas durante o dia percebo as respostas que o meu corpo dá quando realizo  minhas atividades. Essas variações de estímulos motores faz despertar músculos e articulações que parecem estar adormecidos e tudo isso é muito bom.

         Mesmo com todas as dificuldades que eu e outras pessoas com restrições motoras possam ter, o maior limite está na forma do nosso pensamento. Por isso eu deixo de lado as desculpas, me jogo no tatame e vejo o que dá pra fazer hoje.

 

         Muito obrigada Mestre Vassouras! 

   Muito obrigada Pai, por estar sempre comigo!

Cintia Lessa Lima Cancellier
Fisioterapeuta, Mestre pelo IAMSPE (área de neuro-reabilitação ), autora do Livro - Exercícios e Posturas para o paciente com sequela de AVC e outras doenças neurológicas. Especialista pela Santa Casa de Misericórdia em Fisioterapia neuro-múscoloesquelética. Pós Graduada pela Gama Filho em Fisioterapia Cardiorrespiratória.
Apaixonada por desafios.
Atleta amadora !