Seiichi Hissamura
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Contender Series Brasil - Episódio 3 - Final

Contender Series Brasil - Episódio 3 - Final

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A prova de que Dana White gostou do nível técnico da primeira temporada do Contender Series Brasil foi a contratação de 11 dos 30 lutadores que entraram no octógono, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Entretanto, seis atletas chamaram mais a atenção do mandatário: Augusto Sakai, Mayra Sheetara, Johnny Walker, Marina Rodriguez, Raulian Paiva e Thiago Moisés.

A luta preferida de Dana White dentre as 15 sediadas nesta edição, no entanto, foi entre Raulian Paiva e Allan Puro Osso, os últimos a entrarem no octógono no episódio final, exibido na última sexta-feira.
- Foi a minha luta favorita dessa primeira edição do Contender. Eu mal posso esperar para vê-lo (Raulian) lutar novamente. Afirmou Dana.

Vamos as lutas destes terceiro e último episódio desta primeira temporada!

Thiago Moisés começou encostando a mão em Gleidson Poney e explodiu um chute baixo no adversário. Poney trabalhou com a mão esquerda, e ambos ficaram no centro do octógono. Thiago Moisés fez a blitz, acertou boa combinação e, por pouco, um chute rodado não encontrou o rosto do rival. Na sequência, o atleta da ATT acertou bom chute giratório na linha de cintura do oponente. Ao conectar um jab e um direto, Moisés levou Poney a knockdown, porém, o faixa-preta de jiu-jítsu se levantou rapidamente, aparentando ter absorvido o impacto. Ao ver que os chutes seriam um bom caminho, Thiago Moisés acertou um chutaço alto na cabeça de Poney, que caiu. O peso-leve completou o castigo com inúmeros socos, o adversário se encolheu e o árbitro encerrou o duelo.

Apontado como um dos principais lutadores do programa, Thiago Moisés confirmou o status ao vencer Gleidson Poney, por nocaute técnico, aos 4m21s do primeiro round, na luta de abertura do terceiro e último episódio, assinalando a 11ª vitória na carreira, iniciada em 2012.

Na minha leitura da luta, faltou ao atleta Gleidson Poney ter percebido que a luta em pé seria perigosa para o seu jogo, e ter diminuído a distância para o clinch, para poder desenvolver o seu jogo de quedas e solo.

Raulian Paiva e Allan Puro Osso trocaram chutes baixos nos movimentos iniciais. O amapaense acertou um bom direto de encontro e grudou em Allan Puro Osso, que o atacou nas pernas. Puro Osso, aos gritos de "puxa", perdeu a posição na chave de pé, porém grampeou o atleta ao se levantar. Quando Puro Osso arriscou o chute frontal, Raulian o rechaçou, porém, o paulista o imprensou contra a grade, sem efetividade, contudo, assumindo o controle. A luta voltou ao centro do octógono: Puro Osso buscou a trocação e optou pelo clinche outra vez. Os atletas trocaram chutes frontais no cage e, agora, quem atacou as pernas foi Raulian, faixa-roxa de jiu-jítsu. Puro Osso, todavia, defendeu a pegada e, em pé, Raulian acertou golpes retos no rosto do oponente. Puro Osso respondeu com dois jabs de esquerda, clinchou e levou vantagem nesta etapa.

O ritmo não diminuiu na segunda etapa - que viria a ser a mais parelha. Raulian Paiva calibrou a mão, avançou e Puro Osso escapou dos ataques. Pupilo de Ronildo Nobre, Raulian Paiva arremessou golpes retos, tentou atacar as pernas e Puro Osso defendeu. O amapaense carimbou o rosto do adversário com um jab e afastou o rival ao rebater com um direto a joelhada de Puro Osso. O atleta de Diego Lima, na Chute Boxe, mergulhou no single leg, buscou a queda, porém, mostrou habilidade ao largar a perna para buscar o estrangulamento, bem defendido pelo oponente. Raulian travou o chute de Allan, o levou para a grade e trabalhou o clinche, abrindo mão em seguida. Puro Osso acertou bom cruzado de esquerda, atacou as pernas, porém caiu com as costas no solo. Por cima, o amapaense acertou cotoveladas na linha de cintura do rival, que se levantou e trocou cotoveladas. Raulian Paiva caminhou pra frente e, novamente, ao receber um ataque do paulista, ficou por cima.

O equilíbrio nas parciais forçaram os lutadores a buscarem uma vitória clara na terceira e última etapa. Raulian acertou bom cruzado ao encurtar a distância, Puro Osso tentou travar no clinche e o amapaense deu um chega para lá. Na sequência, Raulian conectou dois ótimos cruzados, porém, foi quedado no double leg. Puro Osso ficou por cima, Raulian colocou os pés no quadril para afastar o rival, que tentou buscar as costas, pulou, tentou atacar o braço, mas ficou por baixo, desta vez. Raulian colocou o joelho na barriga, grudou nas costas, entretanto, o atleta da Chute Boxe se levantou. Os lutadores ficaram de pé - Raulian cinturou ao agarrar o quadril de Puro Osso e o derrubou. Allan ameaçou se levantar, mas ficou preso outra vez. Faltando um minuto para o fim, Raulian controlou o paulista, que travou o braço do oponente. A 30 segundos do gongo soar, Raulian ficou por cima, dentro da guarda e, recebeu cotoveladas de Puro Osso, que estava por baixo.

A luta entre Raulian Paiva e Allan Puro Osso correspondeu às expectativas - com sobras. Os atletas duelaram em alto nível durante três rounds equilibrados e emocionantes - e Raulian triunfou na decisão dividida dos jurados. Foi a 18ª vitória da carreira do faixa-roxa, que impôs o quinto revés ao adversário.
Na minha opinião, foi a luta mais parelha de toda essa primeira temporada de The Contender Series Brazil, e, sinceramente, não consigo apontar erros em qualquer um dos dois lutadores, ambos lutaram muitíssimo bem e a vitória teria sido justa para qualquer um deles. Parabéns a estes guerreiros!

Vinicius Mamute e John Allan entraram no octógono e foram protagonistas de mais uma luta com final surpreendente!
Quando a luta começou, Vinicius Mamute arriscou um chute frontal e se aproximou de John Allan, grudando-o contra a grade. Sob instruções do técnico Pedro Galiza, Mamute atacou a perna esquerda de Allan, colocou o ganchinho e quedou. John Allan se levantou e ambos voltaram ao centro do cage. Na defensiva, Mamute subiu a guarda, enquanto o paranaense o acertava na cabeça e com golpes limpos na linha de cintura. John Allan mostrou agressividade e pontaria ao acertar o rosto de Mamute, que tentou, em vão, a queda. Mamute aceitou os golpes de John Allan repetidamente, enquanto o córner pedia que o pupilo respondesse aos ataques e se protegesse.

Com um sangramento no rosto, Mamute, que suportou grande castigo, colocou Allan contra a grade, quedou e trabalhou na meia-guarda. Ele "pesou", montou e bateu no ground and pound. John Allan cedeu as costas, o adversário fechou o triângulo na linha de cintura para tentar o mata-leão. Mamute, então, abriu mão da posição, atacou na chave de braço, porém, não finalizou.

No segundo round, Mamute acertou um chute frontal no queixo de John Allan. Na sequência, buscou a queda no single leg. O atleta de Brasília derrubou o oponente, ficou na meia-guarda até conseguir a montada para golpear o oponente. Mamute investiu na chave de braço, esticou muito o braço do adversário, que resistiu bravamente, arrancando aplausos de Dana White e de Rodrigo Minotauro, espantados com tamanha resistência. Os lutadores seguiram embolados no solo, até que Mamute emplacou o triângulo e finalizou o compatriota.

O peso-meio-pesado Vinicius Mamute deu sinais de que sofreria na mãos de John Allan ao levar um duro castigo no primeiro round. O que se viu no segundo round, entretanto, foi a superação do brasiliense que, se recuperou, demonstrou coração e finalizou o adversário no triângulo aos 3m40s do segundo round.

Para mim, faltou John Allan ter sido um pouco mais contundente para conseguir um nocaute técnico em cima de Vinicius Mamute, que teve muita garra e determinação para suportar o castigo e colocar o seu jogo em prática.

Luana Dread não teve grande dificuldade diante de Mabelly Lima. A paulista - que tem Cris Cyborg e Amanda Nunes como inspiração - tirou proveito da envergadura privilegiada em relação à adversária, controlou a distância e venceu por decisão unânime (30-27, 29-28 e 30-27) após três rounds.

Natural de Limoeiro do Norte (CE), Mabelly Lima encurtou a distância e imprensou Luana Dread contra a grade. Dread acertou uma joelhada e rechaçou a cearense. Mabelly levou um chute alto, uma combinação de socos no rosto, mas se manteve tranquila. Mabelly levou novamente Luana para a grade, recebeu um chute frontal e respondeu com dois overands, que passaram raspando. Luana Dread conectou um chute alto e combinou com os punhos. Mabelly buscou o double leg, contudo abriu mão da tentativa, apesar de seguir grampeada.

Quando o árbitro iniciou o segundo round, Mabelly, apesar da baixa estatura, voltou a acertar o rosto da adversária com o overhand. Quando a cearense voltou a imprensá-la contra a grade, Luana Dread tentou emplacar uma guilhotina, mas a adversária defendeu. Mabelly ficou na guarda de Luana, e Herb Dean pediu ação. Luana inverteu a posição, ficou grudada por Mabelly na grade, em pé, sem efetividade.

Mabelly seguiu a estratégia logo nos primeiros movimentos do round final ao buscar a queda. Luana Dread inverteu a posição, deu uma joelhada na linha de cintura da cearense, e ambas voltaram a atuar no centro do octógono. Dread conectou dois chutes frontais na barriga da adversária, que respondeu com uma bela queda. Luana, porém, girou e ficou por cima. Luana montou, aplicou alguns socos, mas foi repelida por Mabelly, que ficou de costas no chão até o árbitro reerguê-la. Dread colocou pressão na trocação e acertou bom chute alto na cabeça e na barriga da rival. Com a luta sob controle Luana seguiu mantendo a distância a seu favor para atingir a compatriota, que investia tudo nas quedas.

Na minha opinião, faltou pressão no jogo de grappling de Mabelly, que acabou se expondo muito aos potentes golpes de Luana, e até mesmo para manter as posições quando conseguiu levar a luta para o solo.

Gisele Moreira, veterana de 37 anos, lutou contra Dayana Silva.
No primeiro round, Dayana bloqueou o chute de Gisele e encostou o overhand no rosto da adversária. Atleta da Nova União, Dayana levou um golpe de esquerda. O córner de Gisele foi muito claro: "Quando der, coloca para baixo". Entretanto, a veterana não conseguia encurtar para quedar e se expunha na trocação. As lutadoras apresentavam um ritmo acelerado, porém, careciam na pontaria. Dayana carimbou o rosto de Gisele com a mão esquerda: a veterana era rechaçada com golpes ao buscar a aproximação. Gisele demonstrava muita vontade, mas esbarrava na superioridade técnica da carioca.

A partir da segunda parcial, Gisele pegou as rédeas do combate. Ela avançou no single leg, porém, nem uma tentativa de joelhada de Dayana a rechaçou. Gisele imprensou Dayana contra a grade, mas a lutadora da Nova União escapou. Gisele laçou o pescoço de Dayana, quedou, porém a atleta girou. Gisele, então, a cinturou, colocou um dos ganchos, mas a carioca se levantou, mesmo grampeada. Gisele obteve a queda novamente, ficando nas costas da adversária, que recebeu golpes no rosto ao ficar de frente. A veterana, enfim, conseguiu colocar em prática a estratégia de conduzir o embate para o chão.

No terceiro round, Dayana acertou um chute baixo e um cruzado em Gisele, que repetiu a estratégia e, ao catar a perna direita da adversária e quedou. Na trocação, ambas desperdiçaram muitos golpes. Dayana tentava overhands e, após algumas tentativas frustradas, acertou um em cheio. Dayana, entretanto, não avançou em direção à rival, mesmo após ouvir "ela sentiu" de seu córner. Gisele atacou no double leg e levou o confronto para o solo, trabalhando na guarda aberta e golpeando a carioca, que apresentou sangramento no rosto.

Gisele Moreira venceu Dayana Silva por decisão dividida (28-29, 29-28 e 29-28) após quinze minutos de combate, válido pelo peso-galo. A veterana, de 37 anos, a única deste episódio a vencer e não ser contratada, travou um duelo equilibrado e levou a melhor, anotando a oitava vitória no cartel.

Acho que faltou mais "punch" (contundência) na luta em pé para ambas, e mais pressão no jogo de solo de Gisele.

Confira abaixo a opinião de Dana sobre o sexteto contratado nesta primeira temporada de The Contender Series Brazil:

Augusto Sakai, peso-pesado

- Ele tem 10 vitórias e uma derrota, o que é um recorde incrível no MMA. O cara que ele enfrentou (Marcos Conrado) estava invicto, e ele o finalizou no segundo round. Nós ficamos muito impressionados. Precisamos de pesos-pesados, então ele conseguiu.

Johnny Walker, peso-meio-pesado

- O Johnny Walker é divertido. Ele é um cara divertido de se assistir, muito talentoso. Ele vai lutar na Argentina contra o Khalil Rountree, o que deverá ser uma luta muito empolgante, os dois são lutadores agressivos. O Khalil tem um poder de nocaute inacreditável, e o Walker tem um ótimo queixo e habilidades incríveis. Eu espero que essa luta seja muito boa.

Marina Rodriguez, peso-palha

- Eu amo essa meninaessa é minha...sim, eu acredito muito nela. Nós demos a ela uma luta imediatamente contra uma top 15. Estou muito empolgado com a Marina, ela está invicta há 10 lutas, teve uma vitória impressionante contra uma garota que parecia muito boa também. Então eu fui rápido em dar a ela uma nova luta, em São Paulo contra a Randa Markos, que está ranqueada entre as top 15. Eu tenho altas expectativas com relação a ela.

Mayra Sheetara, peso-galo

- A Mayra tem 26 anos, está quase no melhor momento da carreira, tem quatro vitórias e nenhuma derrota. Eu adoraria vê-la ter mais experiência, especialmente porque ela está entrando na divisão peso-galo do UFC. Ela finalizou em pouco mais de um minuto, achamos que devíamos dar a ela essa oportunidade em São Paulo.

Raulian Paiva, peso-mosca

- O Raulian é incrível. Eu adoro o jeito que esse cara luta, adorei aquela luta, adorei os dois lutadores (Allan Puro Osso), e acredito que ele tem um recorde de 17 vitórias e uma derrota, o que é inacreditável. Ele é muito empolgante, muito completo, e aquela foi a minha luta favorita dessa primeira edição do Contender. Eu mal posso esperar para vê-lo lutar novamente.

Thiago Moisés, peso-leve

- Thiago é um cara jovem, empolgante, tem 10 vitórias e duas derrotas, e , de novo, todo mundo sabe que eu gosto de lutadores que empolgam, gosto de gente que entra lá e tenta acabar a luta logo. E foi o que ele fez.

E é isso aí, caros leitores! Fechamos com chave de ouro essa primeira temporada de The Contender Series Brazil, esperando ansiosamente já pela segunda temporada!

E vocês, o que acharam dessa temporada? Qual atleta chamou mais a sua atenção?
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Um abraço, bons treinos e até a próxima! OSS!

Seiichi Hissamura
Paulista, ex atleta profissional, treinador de lutas e artes marciais. Responsável pelas análises técnicas.