Seiichi Hissamura
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Contender Series Brasil - Episódio 2

Contender Series Brasil - Episódio 2

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Dana, no teaser sobre o 2o episódio, traduziu bem o que vem acontecendo em seu evento durante os últimos anos: " - Não basta somente vencer, pessoas vencem todos os dias, mas será que você será notado? A única forma disso acontecer é ter uma boa performance" ou seja, na minha leitura, é ter uma luta sangrenta e muito trash talking (aquela falação, xingamentos, desnecessários e absolutamente deselegante, como diria Sandra Annenberg) na promoção da luta. Enfim, leitura deste que vos lhe escreve.

Mas vamos às lutas!

Iniciando o episódio, tivemos a luta no peso médio, entre Leonardo Silva e Márcio Lyoto, finalista do TUF, e que sofreu muito com os ataques da imprensa quando foi demitido do UFC.Era de se esperar uma luta em pé, dada às experiências dos dois lutadores, mas logo de início Leonardo optou por tentar levar a luta ao solo, conseguindo de fato quedar Márcio Lyoto três vezes seguidas, mas na última investida, deixou o pescoço exposto e ao invés de abandonar a tentativa de queda para se defender da guilhotina, contragolpe de Márcio nesse momento, continuou insistindo no movimento, até o adversário acabar puxando pra guarda e finalizar a luta. Tudo isso com menos de dois minutos de luta.A falta de versatilidade nas quedas de Leonardo, na minha opinião, foi um dos principais pontos que deixou em aberto para a finalização de Márcio Lyoto.

Marina Rodrigues e Maria Oliveira fizeram a segunda luta da noite. Maria tinha acabado de voltar de duas lutas no Japão, tendo ganhado a e perdido outra, e, desacreditada, quase largou o MMA quando a oportunidade de lutar no The Contender bateu a sua porta. São duas lutadoras com características na luta em pé, sendo que Marina se autodefiniu como "agressiva, que parte pra cima" e Maria "como o Anderson Silva".No início da luta, Maria andou pra frente tentando golpear Marina, que pegou o tempo certo e quedou a adversária, já dominando bem a posição, joelho na barriga, e começou a desferir golpes no ground n' pound, acertando boas cotoveladas, e uma consciente joelhada no tronco (vale lembrar que nas atuais regras do MMA não é permitido nenhum golpe com as pernas na cabeça do adversário enquanto está no chão), e quando Maria conseguiu se levantar, tomou uma joelhada no meio do caminho, e foi duramente acertada e castigada em pé, com todo o arsenal do muay thai, inclusive um lindo superman punch, até desistir da luta, pedindo para parar em pé mesmo, aos 3m03 do 1o round.Não sei se foi falta de foco, acreditar em si mesma, mas me parece que ao ser atingida pelo primeiro golpe, Maria foi totalmente desestruturada na luta, abrindo todas as brechas para a sua adversária conectar bons e decisivos golpes.

 

Henrique Frankenstein e Johnny Walker fizeram a luta na categoria dos meio pesados. Frankenstein já tinha sido lutador do UFC, e  Walker estreava no MMA há 4 anos atrás.Logo no primeiro round, a superioridade técnica de Johnny na luta em pé, acertando bons golpes e fazendo seu adversário sentir, após certeiros socos, joelhada voadora, obrigou Frankenstein a buscar a queda, mas deixou o pescoço exposto, que foi prontamente laçado por uma guilhotina de Walker, e para se defender, Frankenstein se jogou para trás, ainda na guilhotina, agora inversa. Para sorte dele, o round acabou enquanto Johnny ajustava a finalização.

O segundo round foi quase um replay do primeiro, com Walker acertando seguidos chutes na coxa e cabeça de Frankenstein, além de socos, obrigando o adversário a buscar novamente a queda, mas dessa vez, usando uma boa técnica de defesa de quedas, Walker usou a técnica que já tinha encaixado em pé durante o clinch para ser propositalmente quedado e conseguir imediatamente a inversão, ficando por cima de Frankenstein, que ao girar, ficou totalmente exposto, sendo mochilado e atacado por um mata-leão. Mas ambos começavam a acusar o cansaço, principalmente Walker, que deixou a finalização e a posição escapar.

No terceiro e último round, visivelmente desgastados, os dois lutadores trocaram alguns golpes insignificantes e sem potência em pé, até Walker tomar a iniciativa da queda dessa vez, e com muita vontade, tirou Frankenstein do chão, em um double leg (segurando as duas pernas) e atravessou o octógono até cravar o adversário no chão. No ground n'pound, aconteceu uma coisa que arrancou gargalhadas de todos, até da Kyra Gracie (para quem assistiu na Globo): alguém da torcida gritava incessantemente para Walker bater em Frankenstein, até que o lutador se irritou e falou - "Bate tu, eu tô cansado!!!"  E foi assim, nesse ground n' pound morno, que a luta se encerrou. Apenas nos segundos finais que Walker, no coração e na gritaria, deu tudo de si ao golpear com mais força em Frankenstein.Johnny Walker venceu por decisão unânime. Frankenstein parece ter sentido o gás nessa luta, ou não ter se preparado adequadamente.

Taila Santos e Estefani Almeida. Duas lutadoras que colocariam estilos distintos em prova na próxima luta do The Contender Series Brazil. Taila vem do muay thai, enquanto Estefani é criada no jiu-jitsu.Resumidamente, a especialista em muay thai imprimiu o seu jogo nos 3 rounds, acertando muitos chutes na coxa esquerda de Estefani, fazendo surgir até um hematoma já durante a luta. E ainda no último round, ainda cinturou, passou os ganchos e ajustou um mata-leão, defendido no coração por Estefani, aos gritos de "não desiste" da sua equipe.Taila venceu por decisão unânime, mantendo sua invencibilidade no MMA.Para Estefani, faltou ter mais tempo de entrada e pegada nos golpes de Taila, para poder colocar seu jogo em prática. Ficou muito perdida na luta.

André Muniz e Bruno Assis fecharam este segundo episódio do programa. Já na apresentação do programa, André, especialista no jiu-jitsu, já tinha deixado claro que se a luta fosse pro chão, era seu orgulho buscar a finalização. Já Bruno mostrou muita vontade em sair com o contrato assinado por Dana White.Em uma apresentação de muito fair play, os dois lutadores se cumprimentaram respeitosamente antes do início da luta, arrancando aplausos do público presente. Mas a cordialidade acabou aí. André acertou ótimos socos em Bruno, que sentiu, mas ao cinturar e tentar a queda, se desestabilizou e o adversário acabou caindo montado. Mas Bruno não soube aproveitar a situação, e em uma tentativa totalmente incorreta de puxar um arm-lock, acabou tomando a inversão de posição, com André terminando o primeiro round no ground n'pound.

Já no segundo round, Bruno conseguiu responder bem na trocação, no boxe, frente a André, que logo conseguiu quedar e ficar dentro da guarda, mas sem muita efetividade no ground n' pound.

No terceiro e último round, Bruno mostrou mais agressividade em pé, acertando bons socos e passando de raspão um belo chute frontal no seu adversário, obrigando André a buscar a queda. Mas nessa tentativa, Bruno aproveitou e lançou o pescoço de André em uma guilhotina, puxando para a guarda, enquanto André bravamente segurou até o soar do gongo, sem desistir.

Luta muito parelha, acho que a mais equilibrada do episódio, com o rendimento de Bruno subindo a cada round. Talvez tenha faltado "entrar" na luta antes, mas de qualquer forma, o único erro a apontar foi a afobação e erro de Bruno ao, na montada, querer puxar o braço de André para a guarda na tentativa de um arm-lock, se ao menos dominar bem o braço. Mas foi uma luta muito parelha.

Johny Walker, com a sua raça, Marina Rodriguez, que impressionou muito a Dana White, e a superioridade técnica de Taila Santos, foram as contratações da noite.

E vocês, o que acharam deste segundo episódio de The Contender Series Brazil?

Semana que vem estamos de volta com o episódio final, não percam!

Seiichi Hissamura
Paulista, ex atleta profissional, treinador de lutas e artes marciais. Responsável pelas análises técnicas.