Cintia Lessa Lima Cancellier
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Circo e o jiu-jitsu

Circo e o jiu-jitsu

                            Trapézio e a modalidade do jiu-jitsu

 

         Domingo é dia de relaxar, descansar, caminhar na praia, tomar água de coco e cultivar a preguiça, certo? Nem sempre! Pelo menos o meu é bem diferente e agitadinho, ainda mais quando estou em Ubatuba e sou convidada para participar de uma aula de trapézio. Isso mesmo, a academia Companhia do Corpo, dos primos do Luciano (Vitor, Tatiana e Suzana Chagas) estava um verdadeiro circo, toda enfeitada com trapézios de diversas cores, formatos e alturas.

         Nunca, mas nunca mesmo tinha imaginado participar de uma aula desta na minha vida, exceto quando criança, antes do meu acidente, que vivia pendurada de ponta cabeça no corrimão da escada em frente a minha casa.....adorava aquilo..kkkk.. Enfim, como o meu professor de jiu-jitsu (Vitor) havia me chamado para ir a academia esse fim de semana, não poderia deixar de prestigiar o casal (Vitor Chagas e Carolina Danisco).  Já tinha visto um trapézio pendurado na academia há um tempinho e Vitor me falou que a Carol seguia a carreira neste meio artístico “radical”, que eu particularmente acho lindo.

         Cheguei bastante tímida e fiquei olhando aquela movimentação e alegria que me contagiava desde minha entrada. Fiquei num canto conversando com algumas pessoas, enquanto o Vitor me chamava varias vezes para eu experimentar. Fiz um pouco de fricote até que ele disse: “Cintia, eu sei que você está louca pra vir, então levanta!”. Na mesma hora eu dei risada, tirei meu tênis e fui!

         Vitor pediu a Carol um step para facilitar minha pisada no tecido, enquanto ela pedia para eu colocar a mão o mais alta que pudesse para apoiar e ficar em pé. Galera, quando cheguei a esta postura, com os dois pés, agarrada com as mãos no tecido pouco acima da cabeça, o meu abdome e quadril trabalhavam de uma forma bem intensa para manter minha estabilidade, assim como sinto no jiu-jitsu. Fora o “baile” que minha perna esquerda deu pra dobrar...kkkk...mas isso já é bem conhecido aqui, certo?

 

         Sei que parece loucura a comparação, mas quem conhece a academia do Mestre Barbosa, sabe que ele também é adepto as cordas, exatamente como trapezistas. Hoje eu entendi direitinho  e pude associar essas duas modalidades tão singulares mas ao mesmo tempo similares em questão de biomecânica e funções musculares. Tanto a pegada do jiu-jitsu como do trapezista são fundamentais para “sua sobrevivência na função”: a pegada no quimono possibilita desenvolvimento de estratégias a finalizações e o trapezista sem pegada não é trapezista...!

         Enfim, sei que me empolgo mesmo, mas raciocinem comigo: toda a mobilidade de quadril, membros inferiores, controle de tronco e” a tal pegada”, são utilizadas com a mesma intensidade( com objetivos diferentes, obvio,) mas com o mesmo empenho nas duas “artes”. Gente, eu achei incrível tudo isso!

         Voltando a minha posição em pé no tecido, a Carol pediu para eu abrir os braços e me equilibrar com meu tronco pra frente....Incrível! Depois, sentei e enquanto a Carol segurava os meus pés para baixo e eu estendi meu tronco pra trás.

         No trapézio, além de ser rodada mil vezes até ficar tonta, eu tive aquela mesma sensação de criança ao ficar de ponta cabeça e descobrir que tenho  um abdome bem forte capaz de ajudar na volta da postura sentada.

         Toda vez que me atrevo a tentar “coisas desconhecidas”, sou convidada a experimentar algo que envolva movimentos novos, me sinto desafiada e praticamente me obrigo a seguir em frente. Por que??  Simplesmente por ser louca?? Não gente! Loucuras a parte ( porque elas realmente fazem parte de mim), a minha busca incansável por experiências motoras novas, além da felicidade que me trás em conseguir realizar algo diferente, mesmo que pequeno, sempre me mostra que sou capaz e isso pra mim é o mais importante!

         Em cada descoberta dessa, podem surgir caminhos novos nunca percorridos antes e proporcionar mais emoções em nosso trajetos!

         Mais uma vez, agradeço ao Vitor, Carol e Fabrício Guimarães (professor que esteve presente o tempo todo com a gente).

 

                                               Obrigada gente!

Cintia Lessa Lima Cancellier
Fisioterapeuta, Mestre pelo IAMSPE (área de neuro-reabilitação ), autora do Livro - Exercícios e Posturas para o paciente com sequela de AVC e outras doenças neurológicas. Especialista pela Santa Casa de Misericórdia em Fisioterapia neuro-múscoloesquelética. Pós Graduada pela Gama Filho em Fisioterapia Cardiorrespiratória.
Apaixonada por desafios.
Atleta amadora !