Cintia Lessa Lima Cancellier
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Boxe! Como assim?

Boxe! Como assim?

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Desde pequena, sempre gostei de esportes radicais...aliás, foi por isso que me acidentei aos seis anos, mas não vem ao caso agora.

A questão é que, sempre tivemos (eu e meus pais) uma busca incansável pela minha recuperação física. Associada a fisioterapia e todas as terapias do mundo, a natação fez parte desse processo desde novinha. Na adolescência, intercalava a piscina com dança do ventre e dança de salão (que meus pais arrasavam). Mas , luta sempre foi minha paixão, desde criança, adorava os filmes do Rock, isso mesmo, Rock Balboa! Quem daquela época não curtia? Tinha vários pôsteres pelo meu quarto (negociava com minha mãe as portas do armário e atrás da porta do quarto, para não arrancar a tinta da parede...kkkk).  Pra mim, ele era o maior exemplo de força, superação e determinação.

Minha primeira manifestação física do boxe (até então era só sentimental) foi numa sessão de fisioterapia, já adulta, em um momento muito difícil da minha vida. Nesta época eu havia sofrido uma intoxicação por aplicação em excesso de toxina botulínica, o botox (para melhorar meus movimentos e não estética, que fique bem claro...rsrsrs). Minha musculatura ficou muito mais espástica (tensa, endurecida), ficava cansada, fadigava muito mais rápido e com equilíbrio bem pior do que já era, ou seja, algo que tinha finalidade de ajudar, causou um efeito contrário. Um certo dia, em uma das divertidas sessões de fisioterapia, o Ricardo (fisioterapeuta), sempre muito engraçado, colocou uma bola de pilates na minha frente e disse: bate! Eu olhei pra ele, obedeci de imediato e comecei a bater feito doida! Naquele momento, misturou a brincadeira com a raiva da situação que estava vivendo, com minha motricidade muito, mas muito mais abalada. Aí, o Ricardo percebendo a minha vontade de bater enlouquecedora, chamou o Eder, meu super amigo, pra iniciar o boxe comigo.

Foi o máximo começar a bater no saco de pancada com luvas apropriadas e não luvinha de musculação que arrebentaria minha mão, aprender o que é base destra e canhota, jeb-direto, upper, cruzado, treinar movimentação de pernas...enfim, tudo isso pra mim era novidade e foi muito importante, além de destacar que eu ia caminhando pra academia e voltava quase correndo de tanto entusiasmo. Mas como eu disse na entrevista, nossas aulas eram muito esporádicas, já que podíamos usar a sala apenas aos sábados, uma hora antes de abrir para os alunos e eu, sempre queria mais!

Algum tempo depois, apareceu um anúncio em frente ao meu prédio que dizia: em breve aula de boxe e jiu-jitsu. E adivinha o que aconteceu? Pirei e passei a ir todos os dias perguntar quando a academia (filial da Graice) iria abrir. Fui com minha mãe certa vez e perguntei ao rapaz que estava na recepção, hoje meu amigo Ronne, que me olhou com aquela cara única de interrogação (que eu conheço muito bem) : O QUE ESTA CRIATURA DE BENGALA QUER AQUI NUMA ACADEMIA DE LUTA kkkkkk. Desculpe meu amigo,mas é isso que os olhos de muitos donos de academia dizem quando olham pra mim a primeira vez....rsrs, mas está tudo certo, faz parte da vida.

Então chegou o grande dia, inauguração da academia e eu fui a primeira a fazer a matrícula e conhecer a Rose Volante. Aquele ambiente todo espetacular, todos os equipamentos específicos, saco de boxe, teto-solo, pushing-boll, ringue.....Meu Deus, um ringue!! E uma professora de boxe que se dedicou desde o início com muito carinho.

Meus professores sempre me disseram e dizem tudo o que eu acredito: você pode, você consegue, é uma guerreira.

A primeira aula com a Rose, nunca vou esquecer! Me ensinou a bater e esquivar do teto-solo (morrendo de medo de levar uma bolada na cara..kk), fiz manopla dentro do ringue, no cantinho, mas fiz  (naquela época ainda não ia para o meio do ringue) e me senti o verdadeiro Rock Balboa fazendo pushing-boll..kkkk.

Minhas aulas eram de segunda, quarta e sexta (quando não viajava). As aulas começavam as oito da noite, mas a Rose chegava uma hora antes pra me dar personal e geralmente eu ficava na segunda aula com todos os alunos.  

Talvez eu possa estar sendo muito repetitiva, mas preciso dizer que cada vez que coloco  as luvas, dentro da academia ou mesmo treinando em casa, aproveito ao máximo a companhia, dedicação e amizade da Rose e Eder, esqueço todos os problemas e faço o melhor que posso.

Atualmente tenho agendada aulas com os dois, que faz muita diferença no meu dia a dia , tanto fisicamente como emocionalmente.

Minha mão sempre me falou que quando eu estou emocionalmente bem, o meu físico também fica e o contrário é verdadeiro. Ou seja, quando tenho algum problema emocional, tristeza , preocupação, o meu corpo mostra claramente. Eu travo, não consigo andar direito (opa, isto é uma constante, quis dizer que caminho muito pior..rsrsrs), me levantar da cadeira é um sofrimento, mas se volto a treinar, ou faço uma aula nesse dia, as coisas já começam a melhorar e eu fico feliz!

A atividade física é muito importante e todo mundo deveria praticar uma que agrade principalmente pessoas com certas sequelas neurológicas. Porque estas sequelas independente de exercícios , vão existir, mas as atividades físicas, além de dar prazer, promove melhora da qualidade de vida pra qualquer pessoa.

Meu objetivo com o boxe, obviamente não é lutar, mas sim melhorar minha motricidade, força, agilidade com uma atividade diferente de tudo o que já fiz . Um treino prazeroso, com muitos desafios e que apesar das minhas dificuldades,  me mostra que se eu tentar, tentar e tentar de novo, eu sempre posso mais!

Cintia Lessa Lima Cancellier
39 anos,fisioterapeuta, Mestre pelo IAMSPE (área de neuro-reabilitação ), autora do Livro - Exercícios e Posturas para o paciente com sequela de AVC e outras doenças neurológicas. Especialista pela Santa Casa de Misericórdia em Fisioterapia neuro-múscoloesquelética. Pós Graduada pela Gama Filho em Fisioterapia Cardiorrespiratória.
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