Cintia Lessa Lima Cancellier
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Aula de jiu-jitsu com torcida!

Aula de jiu-jitsu com torcida!

                

                                

 

         Mais uma terça feira animada (aula da Dinha), mas desta vez com uma diferença: torcida me incentivando o tempo todo, o Eder,  conhecido aqui como Éderediii, meu amigo-professor que  foi assistir o massacre..ops, a aula!

Sempre me empenho em todas as minhas aulas mas, como a “torcida organiza” estava lá, eu me esforcei até que um “cadiquinho “ a mais.....brincadeira! Eu sempre dou aquele “gás “ na aula.

         Logo de cara quando apresentei os dois eu vi que iria sofrer mais “buling” do que nunca, porque meus queridos professores , "super sérios” se deram tão bem desde o primeiro instante que as cutucadas foram inevitáveis e bem mais frequentes.  Mas a melhor coisa que existe é isso: você poder ter liberdade e eles tem total comigo! Já disse mil vezes aqui e continuarei falando a mesma coisa: meio de academia não existe frescura, preconceito. Ninguém chega perto de mim com “medinho” para falar qualquer coisa, simplesmente se aproximam e trocam ideias normalmente e até fazem piadinhas com minhas travadas de pernas e mão, o que é muito frequente e faz fluir as aulas de maneira suave.

Opa, vamos iniciar a aula, se não o tempo passa e nem consigo relatar meus momentos emocionantes de mais um dia. Como sempre começamos com aquela tentativa de corrida com resistência pelo elástico acima dos joelhos. Seguimos com o deslocamento lateral para um lado e para o outro e depois deslocamento com mudança de direção (giro de 180 graus após três passos de cada lado).

Flexão na parede, agachamento e supino (com a Dinha deitada transversalmente em cima de mim).  Gente, estou ficando muito forte! Em seguida eu tive que ficar no chão, fazendo a extensão do braço para tirar a Dinha de cima de mim, sair com o quadril e repor a guarda, ou seja, sair de baixo dela com o quadril e em seguida rodar o tronco  para o lado dela colocando meus joelhos e pés próximo ao quadril dela. Não sei se fui clara, mas me enrolo às vezes pra descrever movimentos e posições.

Hora boa agora gente: os golpes! Dessa vez foi melhor ainda, porque tinha torcida organizada e cinegrafista: o Eder!! O primeiro foi o famoso armlock na guarda. Acho que já está melhorando bem, apesar de em certos momentos a perna esquerda me sacanear, mas aos poucos estou domando a fera. O segundo foi o quimura (minha especialidade). O único problema deste golpe é que não posso ver uma mão dando sopa que já ataco, que nem gato que não pode ouvir barulhinho de dedos  tocarem em moveis. O negócio está tão tenso que meu marido até facilita o movimento do braço pra mim quando pego na mão dele.  Depois do quimura foi o triângulo, que o “cinegrafista” fez questão de filmar de tão emocionado que ficou.

Bom, após esse treinamento, minhas pernas estavam bambas e fomos para o “fight”. Geralmente fazemos dois rounds de 5 minutos, sendo que no primeiro iniciamos em pé e o segundo de joelhos. No início já caí feito uma jaca e a Dinha rapidamente foi pro meu braço, mas consegui escapar e até alcancei as costas dela..uhuuu!!!

Essa aula é uma festa pra mim, porque eu me entrego aos milhares de desafios e tentativas sem medo de errar e me machucar. Na verdade toda prática esportiva que me proponho eu sinto a mesma adrenalina,  mas o jiu-jitsu tem uma questão diferente: eu já estou no chão, então não tenho receio de cair.

Gente, a vida pra mim só faz sentido com emoções fortes, desafios e diversão. Não me importa o grau de dificuldade que eu tenho nisso ou naquilo,  mas sim o tamanho da minha vontade de vencer esses obstáculos e o quanto essas  tentativas me divertem e fazem bem pro meu corpo e alma.

 

Estive conversando com meu amigo, Eugênio Veroneza, professor de boxe da Academia Champs Box e árbitro de MMA, que conheci no dia do Premio Osvaldo Paquetá, num momento de muita emoção, quando subi no palco e ele gentilmente me deu aquele apoio moral. Sempre compartilho minhas matérias com ele, que repassa para seus alunos como forma de incentivo,  o que me fez refletir e fortalecer ainda mais o meu modo  de encarar e  interagir com  a vida!

A forma como são gerados nossos pensamentos é a chave para o sucesso. Por isso, apesar das minhas dificuldades motoras, não valorizo o tamanho dos obstáculos e sim a dimensão das minhas conquistas!

 

Obrigada Dinha,  Éderediii e Eugênio!

Cintia Lessa Lima Cancellier
Fisioterapeuta, Mestre pelo IAMSPE (área de neuro-reabilitação ), autora do Livro - Exercícios e Posturas para o paciente com sequela de AVC e outras doenças neurológicas. Especialista pela Santa Casa de Misericórdia em Fisioterapia neuro-múscoloesquelética. Pós Graduada pela Gama Filho em Fisioterapia Cardiorrespiratória.
Apaixonada por desafios.
Atleta amadora !